Os funcionários da Qintess em Brasília aprovaram um indicativo de greve em um assembléia organizada pelo Sindpd-DF, o sindicato da área de TI do Distrito Federal.
A assembléia ocorreu na quinta-feira, 23. O início efetivo da greve depende ainda de alguns passos legais pela parte do sindicato.
De acordo com o Sindpd-DF, a expectativa é que a paralisação comece no sexto dia útil de agosto (no caso, a segunda-feira, 10), caso a empresa “não pague dentro dos prazos estabelecidos”.
O sindicato já adiantou que as paralisações devem começar pela Dataprev, Imprensa Nacional, Denit, Ministério da Gestão e Ministério da Justiça, todos grandes clientes da Qintess no Planalto.
“O sindicato vai organizar com os trabalhadores os detalhes para o início das paralisações. Onde os contratos ainda não pagaram os salários e os benefícios, o Sindpd-DF deve agir com mais intensidade”, disse o sindicato para o Baguete em nota.
Caso se confirme, essa será a segunda greve de funcionários da Qintess nos últimos meses. Entre os dias 30 de abril e 7 de maio, houve uma paralisação no estado de São Paulo, liderado pelo Sindpd.
As causas são as mesmas: atraso de pagamentos de salários, FGTS, férias e outros benefícios para funcionários.
No caso de São Paulo, a greve foi uma estratégia para acelerar o processo judicial sobre a situação, que corre no Tribunal do Trabalho da 2ª Região. O Sindpd não voltou a falar do assunto.
No meio tempo, o Ministério Público do Trabalho da 10ª Região (Brasília) decidiu em junho instaurar um inquérito civil para averiguar a situação dos funcionários da Qintess atuando em uma série de órgãos públicos federais.
O Inquérito Civil (IC) funciona como uma espécie de “investigação prévia”, muito parecida com um inquérito policial, mas voltada exclusivamente para a esfera trabalhista e de direitos coletivos.
O MPT também pode convocar representantes das empresas, dos órgãos públicos e os próprios trabalhadores terceirizados afetados, analisar a contabilidade e a situação dos planos de saúde. Uma greve em Brasília certamente colocaria lenha na fogueira.
QUEM É A QINTESS
Hoje a Qintess tem cerca de 1,5 mil funcionários, e vive basicamente em função de grandes contratos com estatais e órgãos do governo.
O nome Qintess é relativamente recente, adotado no final de 2019, mas as empresas que deram origem à organização já eram bem conhecidas no mercado brasileiro de TI.
A história começa em 2011, quando um grupo de investidores liderados pelo americano Nana Baffour comprou a Cimcorp, então uma das grandes integradoras de tecnologia do país, com forte presença no setor público.
Em 2014, a Cimcorp adquiriu os negócios das empresas Damovo, Getronics e Sopho no Brasil. A Damovo era uma grande empresa no setor público, fornecendo infraestrutura de rede, comunicação unificada e colaboração para órgãos federais, estaduais e tribunais.
O movimento mais significativo ocorreu em 2019, quando a Cimcorp comprou a Resource, outra grande integradora de TI, reconhecida por sua atuação como parceira da SAP no mercado privado.
Ao contrário da Cimcorp, cujos anos dourados ficaram no início dos anos 2000, a Resource fechou 2018 com faturamento de R$ 470 milhões, um crescimento de 20% em relação a 2017.
Sob o nome Qintess, a empresa realizou ainda outras aquisições, como a CSC Brasil, especializada em análise de dados e Business Intelligence, consolidando sua posição no mercado nacional.



