Brasília foi palco, nos dias 3 e 4 de julho, do 1º Encontro Regional de Trabalhadores(as) das Empresas Particulares das regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste. Organizado pela FENADADOS, com apoio do SINDPD-DF, o encontro reuniu dirigentes sindicais para debater os desafios urgentes da categoria.
Os temas discutidos, baseados em estudos do DIEESE, serão sistematizados e submetidos ao Encontro Nacional da FENADADOS, marcado para agosto em Fortaleza (CE). O objetivo é transformar o diagnóstico da precarização em uma plataforma de ação nacional unificada.

Pejotização: a fraude que custa R$ 144 bilhões aos trabalhadores.
Um dos debates mais acalorados do encontro girou em torno do avanço da pejotização no Brasil. O documento “Pejotização e a Institucionalização da Fraude”, elaborado pelo DIEESE, escancara o impacto financeiro dessa prática: entre 2018 e 2023, se os trabalhadores enquadrados como MEI ou Simples Nacional tivessem sido contratados formalmente pela CLT, a arrecadação adicional para a Previdência Social poderia alcançar aproximadamente R$ 144 bilhões.
As perdas em depósitos de FGTS no mesmo período superam R$ 15 bilhões. O déficit atuarial relacionado ao regime do MEI é estimado entre R$ 435,7 bilhões e R$ 711 bilhões. Esses números provam que a pejotização não é uma “escolha moderna”, mas uma estratégia empresarial de redução de custos que transfere ao trabalhador todos os riscos econômicos da atividade, privando-o de garantias fundamentais como férias remuneradas, 13º salário e proteção previdenciária.
Os dirigentes debateram também o Tema 1389 em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF), que discute a licitude da contratação via pessoa jurídica. A posição reafirmada no encontro é que o problema não pode ser resolvido apenas por faixa salarial — autorizar a pejotização acima de determinado rendimento institucionaliza desigualdades e legitima a precarização de quem constrói a inteligência tecnológica do país.

Dados da RAIS 2025: 779 mil trabalhadores e a persistência da desigualdade
O panorama do emprego formal em tecnologia, apresentado com base na RAIS 2025, mostra que o Brasil conta hoje com 779.191 trabalhadores formais no setor, com remuneração média de R$ 8.441,30. No entanto, por trás das médias, escondem-se abismos que precisamos enfrentar:
Desigualdade de Gênero: Mulheres recebem 27% a menos que os homens — uma diferença real de R$ 2.527,09 para funções equivalentes.
Concentração Regional: A região Sudeste concentra 56,8% dos trabalhadores, com remuneração média de R$ 9.900,87.
Realidade no Centro-Oeste: A região apresenta a menor média salarial do setor (R$ 6.427,00). No Mato Grosso do Sul, a situação é crítica, com média de apenas R$ 4.017,71.
Cenário no DF: O Distrito Federal concentra 67,1% dos trabalhadores da região Centro-Oeste, com média salarial de R$ 7.239,32.

O encontro também analisou o levantamento de cláusulas das convenções coletivas de 2025 e 2026. Os dados mostram que o piso salarial médio da categoria é de apenas R$ 1.735,69 — pouco acima do salário mínimo — e o reajuste médio ficou em 5,45%, representando um ganho real de apenas 0,38%. Esse cenário reforça a necessidade de uma negociação coletiva mais agressiva e participativa.
A luta contra a pejotização, pela redução das desigualdades regionais e de gênero e pelo fortalecimento da negociação coletiva segue em todas as frentes. A tecnologia é feita por pessoas, e essas pessoas precisam de respeito, direitos e salários dignos. A participação de cada trabalhador é o que transforma dados em conquistas.
Juntos somos fortes.
O sindicato terá a força e o tamanho que a categoria quiser.
FILIE-SE AO SEU SINDICATO



